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Capitólio do Texas: o assassinato de Robert Love e o seu fantasma

Por Nicolás RodríguezAustin, TexasUm passeio de dia

Em 30 de junho de 1903, um funcionário público foi assassinado dentro do Capitólio do Texas, em Austin. Ele se chamava Robert Marshall Love e era o controlador do estado. Com os anos nasceu uma lenda: a de que ele nunca saiu do prédio. Eu percorri essas mesmas salas sem conhecer o crime nem as histórias, e aqui separo o que está documentado do que se conta.

Aviso honesto: isto foi um passeio de dia, não uma investigação. Para ficar à noite no Capitólio é preciso ter autorizações que desta vez eu não tinha. O vídeo está em espanhol.

O prédio

O Capitólio do Texas fica no centro de Austin e foi inaugurado em 1888. Tudo no seu desenho busca transmitir estabilidade, autoridade e poder: com pouco mais de 92 metros até a estrela da estátua da Liberdade que o coroa, é mais alto que o Capitólio de Washington. Por dentro é enorme, impecável, e cada sala conta um pedaço da história do Texas.

Mas os prédios de governo não são feitos só de pedra. Também acumulam tragédias, e uma delas aconteceu num escritório em pleno dia de trabalho.

Quem era Robert Marshall Love

Love (1847–1903) não era um simples funcionário de escritório. Lutou a Guerra de Secessão inteira na brigada de Ross, do lado confederado. Foi assistente do xerife e depois xerife do condado de Limestone, presidiu a associação de xerifes do Texas e também foi delegado federal (U.S. Marshal). Em 1873, quando o governador E. J. Davis não reconhecia a eleição de Richard Coke, Love foi um dos homens armados que ajudaram a instalar a legislatura, no capitólio antigo, o que existia antes do atual.

Em 1901 venceu a eleição e assumiu como controlador do estado, o funcionário que fiscaliza as contas públicas.

A carta e os disparos

Em 30 de junho de 1903, Love trabalhava no seu gabinete quando entrou William G. Hill, um ex-funcionário da controladoria que ele havia demitido. Hill não chegou gritando nem ameaçando: chegou com uma carta na mão. A carta começava dizendo que um cargo público é uma responsabilidade sagrada e seguia acusando Love de corrupção e favoritismo, chamando-o de incompetente, hipócrita e tirano.

Enquanto Love a lia, Hill sacou um revólver e atirou nele. Outro funcionário o perseguiu e, na luta, Hill morreu com um tiro: segundo as versões, ele mesmo se atingiu ou a arma disparou sozinha. A carta não prova que as acusações fossem verdadeiras, mas mostra o rancor com que aquele homem atravessou a porta.

Já caído no chão, sabendo que ia morrer, Love pediu para falar com a sua secretária: disse a ela que Hill tinha atirado enquanto ele lia o documento e que não entendia o motivo. Segundo os jornais da época, a sua última vontade foi pedir que Deus perdoasse e abençoasse o homem que o havia matado. Morreu cerca de uma hora depois.

Até aqui, a história oficial: um crime violento e documentado.

A lenda

Com os anos, Love passou dos arquivos para uma lenda que, pelo menos segundo o que os funcionários me contaram, não é esquecida. Fala-se de uma figura masculina de aparência antiga, de traje formal, que atravessa os corredores vazios à noite, perto de onde ficava o seu gabinete. Quem diz tê-la visto fala de uma queda brusca de temperatura e de uma presença que observa em silêncio. Outros relatos acrescentam passos, vozes e uma misteriosa mulher vestida de vermelho.

Um dos guardas me contou que o fantasma já foi visto bastante nas câmeras noturnas, vestido de época, "com a roupa de antes, dos confederados". Os outros não quiseram falar muito sobre o assunto. Os que falaram me disseram que o fenômeno é real e que muitas vezes, quando ouvem um barulho à noite, nem vão até lá: olham pelas câmeras e não se aproximam.

O que vi no passeio

Subi a escadaria principal falando baixinho, percorri os lugares onde o guarda me disse que a figura já foi vista e aproveitei para conhecer as salas: a história da bandeira do Texas, a da estrela solitária, e o enorme quadro da queda do Álamo, o lugar onde aconteceu essa batalha e que vai ter o seu próprio vídeo.

"No meu passeio dentro do Capitólio não cheguei a gravar, nem a sentir, nem a medir com os meus equipamentos absolutamente nada que não fosse explicável."

Então saio sem uma resposta clara: é um fenômeno real, são ecos ou é uma lenda urbana? Não sei, e não vou vender este passeio como algo que não foi. O que fica é a vontade de voltar com as autorizações, ficar à noite, sozinho, olhando as câmeras de segurança, e fazer uma investigação como deve ser.

O vídeo (em espanhol)

O passeio completo: o assassinato no Capitólio do Texas e o fantasma de Robert Love · Ver no YouTube

Na mesma viagem a Austin também passei uma noite no Oakwood Cemetery, o cemitério mais antigo da cidade, de onde se vê o Capitólio.

Se você for visitar

O Capitólio fica no centro de Austin, na avenida Congress. A entrada é gratuita e há visitas guiadas; vale a pena conferir os horários antes de ir. E, como em todo lugar: com respeito, é um prédio de governo que continua funcionando.